Três dias antes de morrer, paciente com câncer realiza sonho de se casar em hospital no RS
Três dias antes de morrer, paciente com câncer realiza sonho de se casar em hospital no RS Três dias antes de morrer, Luciana Aparecida Vieira, 37 anos, cons...
Três dias antes de morrer, paciente com câncer realiza sonho de se casar em hospital no RS Três dias antes de morrer, Luciana Aparecida Vieira, 37 anos, conseguiu realizar um sonho que o avanço de um câncer havia obrigado a adiar. Internada no Hospital de Clínicas Ijuí (HCI), onde tratava um adenocarcinoma gástrico, ela se casou no dia 9 de outubro com Adriano Cananea, companheiro de mais de 10 anos. No dia 12, Luciana morreu. A cerimônia ocorreu no auditório do hospital, cercada pelos familiares e pelos profissionais que acompanhavam Luciana durante a internação. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O vestido comprado para o casamento originalmente marcado para 27 de setembro pôde, enfim, ser usado. Cabelo, maquiagem, decoração e outros detalhes foram preparados com o envolvimento da equipe do hospital. Os dois filhos de Luciana, de 18 e 9 anos, também participaram. Para Adriano, que tem 38 anos e é militar de carreira, a mudança provocada pela cerimônia era perceptível no rosto da companheira, mesmo diante da gravidade da doença. "Dava para ver o brilho nos olhos dela. Ficou faceira. O semblante dela mudou", relembra Adriano, que é 1º sargento do Exército. "Deu uma leveza pra ela". O casamento era a realização de um plano que acompanhava os dois havia algum tempo, mas que foi sucessivamente interrompido pelo tratamento contra o câncer, pelas mudanças da família e pelas internações de Luciana. Casamento de Luciana e Adriano no Hospital de Clínicas Ijuí Divulgação/ Adriano Videomaker Do diagnóstico às primeiras sessões de quimioterapia O histórico da doença começou em junho de 2025, quando Luciana, que morava em Santo Ângelo, passou a sentir dores e desconfortos no estômago. Segundo Adriano, ela tinha sintomas semelhantes aos de uma gastrite, enjoava com frequência e começou a apresentar dores intensas na região das costas e da lombar durante a madrugada. As dores passaram a prejudicar o sono: "Ela tinha que acordar, ficar sentada na cama porque ela não conseguia mais dormir", relata o marido. Uma biópsia confirmou o adenocarcinoma gástrico. De acordo com Adriano, o tratamento prosseguiu em Porto Alegre, onde Luciana passou por sessões de quimioterapia e por uma cirurgia que retirou cerca de 80% do estômago. Depois da operação, realizada no fim daquele ano, foram feitos novos exames que naquele momento não apontaram células malignas no corpo. Naquele período, Adriano havia sido transferido profissionalmente para Recife. Diante do resultado dos exames, o casal decidiu seguir para Pernambuco e combinou que realizaria o casamento quando retornasse do Nordeste, desde que não surgissem novas intercorrências. Novas dores e piora da doença Em meados de maio deste ano, Luciana começou a sentir dores nas pernas, que se tornaram cada vez mais intensas. A família voltou a procurar respostas. Adriano conta que, após uma sequência de exames realizados durante cerca de três semanas, uma tomografia apontou uma massa atrás do útero. Depois da avaliação pela equipe de cirurgia oncológica, Luciana passou por uma cirurgia de emergência diante da suspeita de que a alteração pudesse representar uma metástase do tumor original. Foi o início de uma sequência de complicações. Após a cirurgia, Luciana permaneceu internada por cerca de 20 dias em Recife. Foi durante esse período que Luciana fez ao companheiro um pedido que mudaria novamente os planos da família: não queria deixar de viver longe dos parentes. Fotos de Luciana Aparecida Vieira Divulgação/ Adriano Videomaker Foi então que Adriano recebeu autorização para retornar ao Rio Grande do Sul assim que Luciana ficasse estável e tivesse condições clínicas de viajar. "Ela quase veio a óbito, porque começou a dar falência nos órgãos dela. Começou a parar o fígado. Ela estava fazendo uma hemodiálise", lembra o marido. Na sequência, Luciana retomou a quimioterapia para o tratamento da metástase. Depois que o quadro foi estabilizado, a família conseguiu retornar ao Rio Grande do Sul, em setembro deste ano. Retorno à terra natal e nova internação Segundo o marido, exames realizados em Porto Alegre apontaram formações secundárias do tumor nos ossos do quadril, dos dois lados, na clavícula esquerda e no osso sacro, além de uma alteração que precisava ser investigada na medula óssea. Posteriormente, já no Hospital de Clínicas Ijuí, uma biópsia constatou também a presença do tumor na medula, de acordo com Adriano. Com isso, Luciana foi internada em 22 de setembro, justamente a semana em que deveria se casar. A cerimônia estava marcada para o dia 27, dois dias depois do aniversário dela. Local, fotógrafo e vestido já estavam definidos quando a internação, cinco dias antes, obrigou o casal a cancelar mais uma vez os planos. Casamento dentro do hospital Casamento de Luciana e Adriano no Hospital de Clínicas Ijuí Divulgação/ Adriano Videomaker Adriano já sabia que o estado de saúde da companheira era grave. Então, o casamento ganhou uma nova data e um cenário completamente diferente daquele imaginado pelo casal. A equipe do Hospital de Clínicas Ijuí se envolveu nos preparativos e recuperou elementos da celebração que já estava sendo organizada antes da internação. Embora a cerimônia tenha sido diferente da que havia planejado, antes de morrer, Luciana contou ao HCI que estava feliz por conseguir viver aquele momento. "Estou muito feliz, apesar de não ser como sonhei e planejei. A equipe comprou a ideia e eu aceitei de uma maneira linda e maravilhosa, porque vejo nos olhos delas o quanto estão felizes e empolgadas em fazer isso acontecer", narra Luciana em nota publicada pela instituição de saúde. 'Nunca percam a esperança' Casamento de Luciana e Adriano no Hospital de Clínicas Ijuí Divulgação/ Adriano Videomaker Na sexta-feira (9 de outubro), o casamento que havia sido interrompido pela internação, finalmente aconteceu. Na segunda-feira seguinte, três dias depois da cerimônia, Luciana faleceu. Ao falar sobre a cerimônia ao HCI, a paciente resumiu o significado que atribuía àquele momento a partir da fé que havia sustentado ao longo do tratamento: "É um momento glorioso. Eu sempre sonhei com isso, ter as nossas alianças ungidas pelo Espírito Santo, fortalecendo toda a fé que temos, que é muita." Antes de morrer, deixou também uma mensagem dirigida a outras pessoas que enfrentavam momentos difíceis: "Eu acredito que o amor, a esperança e a fé movem montanhas. Nunca percam a esperança". VÍDEOS: Tudo sobre o RS